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domingo, 7 de março de 2010

Gordelícia




















Isso mesmo, você leu o título. Ela é gordinha. E ela é uma delícia.

Ao contrário do estigma que as mulheres rotulam, não é só de bundas e peitões dignos de uma assistente de palco que vive o desejo e a libido masculina. Ali, entre as fantasias de loiras curvilíneas e morenas de corpos que tocam bossa nova, existe uma mulher que enche a cama, que tem carne para apertar, que tem um recheio digno de ser esmagado entre rodelas de chocolate e ser empacotado para vender como Negresco.

A gordelícia. Prima da mulher que dá um caldo, mas com uma pitada de pimenta e por que não - um tenro pedacinho de bacon.

Uma gordelícia não é simplesmente uma mulher com alguns quilinhos a mais. Nelas, as famosas “alças do amor” abrem portas para um sexo tão fogoso que assa carnes e peixes na churrasqueira. Melhor que isso, elas tem a explosiva combinação entre horny e carinhosas. E homens percebem - e valorizam - essa charmosa dinamite.

A história prova seu lugar de destaque. Expressada na arte e na música, o gosto pelas gordelícias inspira muitos.

Bon Scott, falecido vocalista do ACDC, após uma noite de tórrido romance escreveu “Whole Lotta Rosie”, uma verdadeira ode Rock N’ Roll às gordelícias. O colombiano Fernando Botero pincelou seu lugar entre os grandes pintando e esculpindo gordelícias com as mãos que com toda certeza já contornaram as mais belas formas. Até num plano municipal, a bela cidade de Americana, no interior paulista, decidiu receber seus visitantes com um portal que é uma clara homenagem a este belo estipe mulheril.

Deixemos para lá o debate sobre o padrão de beleza atual, que cultua um corpo que substituí as delícias da boa mesa por alface, e se der, uns cubinhos de torrada. Entremos no nosso DeLorean e voltemos muitos anos no passado.

Os quadros não mentem: antigamente as gordelícias eram o padrão de beleza. Comer bem e bastante era para nobres, para os inquilinos originais do Castelo de Caras. Quem morava mal e longe era magro, e até esculpido pelo árduo trabalho no campo. Provável dono de uma barriga tanquinho que roncava com frequência.

Hoje, num mundo que (pelo menos nas grandes cidades) todos tem acesso a pelo menos um prato de comida, o que é bonito é a falta de peso. Comer alimentos orgânicos, lanches de pão integral com queijo branco, sucos de 3 frutas com uma pitada noz moscada, que você sabe, é cheio de vitamina A.

Segue a mesma lógica de antigamente, mas de forma inversa. Os ricos e famosos que renovam seus votos de amor no Castelo investem para contratar um personal trainer e uma equipe de nutricionistas para ficar bem na foto.

Mas aí, quando o mundo conspira para incitar-nos a procurar o que está estampado nas revistas ou dançando ao fundo do Programa do Faustão, quando a marca do meu desodorante lança uma campanha pela “real beleza”, lá vem elas, as gordelícias, e acabam com toda necessidade de argumentação.

A atração por gordelícias está na sua autencidade, no uso do inconfundível charme feminino a seu favor, em mostrar que uma mulher gostosa vai muito além de um padrão de medidas para bundas, coxas e peitos.

Elas são provas vivas e levemente rechonchudas de como o charme feminino permite a adição de “delícias” para todo tipo físico.

Afinal, ela é uma mulher. E é uma delícia.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Dá um Caldo













É recorrente no universo masculino, principalmente em bate-papos regados a café, água, suco, chopp ou ar, conversar sobre a gostosura da mulherada alheia. E assim como um frango de granja, nada delas deixam de ir à mesa. Comenta-se sobre tudo: a bunda arrebitada, o peito que o decote emoldura, o pescoço que incita farejadas a queima roupa, narizes, coxas, dedos, bocas… Nada escapa do aguçado olhar masculino e sua descrição engolindo salivas.

É bobo, superficial, é machista. Mas não existe ocupação mais divertida e bacana do que comentar com os coleguinhas as curvas que desfilam caminhando em linha reta. Homens são seres visuais, está no DNA, no instinto. E para nós, assim como o fotojornalismo premiado, uma imagem diz – e anima - muita coisa. Vide os primeiros exemplares de Playboy comprados aos 13 e escondidos embaixo do armário da pia (e que no meu caso, tiveram um triste fim quando a empregada decidiu lavar o banheiro).

Uma mera visão de uma barba por fazer e charme por conhecer caminhando pela rua é muito pouco para uma mulher. Não que desgoste de olhar, mas não excita nada além de algumas breves olhadas imperceptíveis à sensibilidade masculina. Para elas, melhor que ver, é sentir. Como bem já cantou Marisa Monte, bom mesmo é um corpo pesando sob o seu.

Podem até ter razão, mas para nós na maioria dos casos, basta um peitão. Para cada corpo feminino analisado existe um quase infinito leque de linguajares e termos técnicos, de conhecimento de qualquer um que vê muita graça em cenas de beijos lésbicos. Cavala, mignon, camarão, gordelícia, creme… São muitos os nomes que carimbam e dão os acordes dos corpos de violão (ou violão-celo) que fazem seus shows por aí. Mas entre todos eles, o mais interessante só podia derivar do melhor dos adjetivos ao tipo físico: o elogioso “gostosa!”, ainda melhor quando dito com X e a boca cheia.

“Gouxxtosa!”. O que um americano descreveria com um simplório “oh man… she´s so hot”, pro brasileiro tem o charme de um sambinha bem feito. Saboreamos nossas musas como quem fecha os olhos como uma garfada de feijão temperado. Um prato bem feito provoca um apetite muito parecido com o daquela maravilhosa que arrasta olhares. Por isso, o gostosa.

E quando ela não é tamanha beldade? É gostosa sim, merece as sete letras. Mas não por completo. Tudo no lugar, menos alguma coisa. Um olho meio de mal com o outro, uma bunda que levaram e nunca mais devolveram, um sorriso cujas gengivas são maiores que os dentes pequeninos. Para definir essa misteriosa e tão pessoal figura, novamente nos apropriamos de mais um termo culinário.

- E a Florinda hein Jair, que se acha?

- Ah cara… Ela dá um caldo.

Muito longe do retangular e insosso caldo Knorr, na culinária o caldo tem papel fundamental para dar o sabor que faz comer embaixo da mesa. O caldo é a esperteza do chef de mão cheia. Aproveita o suco, o resumo, o que derreteu do cozimento da carne ou frango entre azeite, cebolas e outras delícias de cheiro bom para os próximos pratos.

A mulher “que dá um caldo” tem algum defeito que não agrada o paladar comum, mas tem a sua gostosura própria. Algo inexplicável, aproveitável, que queria ou não, tem o seu vapor – ou valor - quando se abre a tampa.

O fato é que a mulher que se namora e o prato que se escolhe dependem igualmente da sensação que se passa quando em contato com a língua. O que existe de intragável em uma azeitona para um, é o toque indispensável para a empadinha de outro.

Já o caldo é uma escolha unânime da roda de conversa gastronômica. Um consenso entre todos que o objeto de análise tem sim o seu valor, dá o seu caldo suculento e saboroso que combina com todo um cardápio.

O caldo pode não ser o prato principal, mas rende por muitos jantares.