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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Diálogo de Amídalas










De saída de uma sessão das 9 e meia de segunda, dois amigos batem a porta e seguem para casa no ronco de um motor 1.0. No banco do carona, Ari tenta fazer um comentário sobre as curvas da atriz principal, mas acaba mudando de assunto por engolir sua saliva com uma careta.

- Nossa, minha garganta tá zuada demais. Minhas amídalas tão com pus até, cara.

Logo depois de engatar a terceira marcha, o amigo e motorista responde com um sorriso na voz.

- Pensa pelo lado bom cara... podiam ser seus testículos.

- É... Tem razão. – ri de leve, sacudindo os ombros - é bom ter um amigo para mostrar o lado bom das coisas.

- Pois é, você é um rapaz de sorte.

O carro acelera e atravessa o sinal amarelo quase subindo para o vermelho - que para a imensa maioria dos paulistanos ainda é verde. Pablo, o motorista e piadista, olha para a noite pela janela abaixada e recebe a brisa e o cheiro de 11 da noite no rosto.

- Que noite boa pra tomar uma brejinha... Você fecha?

- Nao cara, com essa garganta.. Não dá. Se eu quiser te acompanho.

- Ah sussa, então desencana. – Pablo boceja, substituindo a vontade de entornar um copo americano por deitar sua cabeça num travesseiro. E abrindo a boca com um meio sorriso, continua:

– Mas que a noite tá boa, tá... Se você fosse uma mina ia te levar pra casa, embebedar e tentar te comer.

Ari rebate à altura:

- Cara, se eu fosse mina você ia me levar pra minha casa. E só.

- É, e provavelmente gastar muito mais.

E rindo, o 1.0 segue seu caminho pela avenida Brasil.

domingo, 12 de julho de 2009

Diálogo de Domingo











No quarto com a penumbra de uma persiana dormem dois amigos. Um na cama de casal, outro numa caminha de solteiro. Procurando o sono, acordam. O rapaz da cama de casal estica o pescoço entre seu ninho de cobertores, vê o amigo e deita-se novamente, de olho no teto.

- Caramba, você que tá dormindo aí. Achei que fosse o Vitão.

Com a voz empastada de de sono, Ari responde de olhos ainda fechados:

- Não, o Vitão é muito grande pra essa caminha.

- Haha é memo.

- Que horas você chegou?

-Putz, umas 4 acho.

- Eu cheguei umas cinco. Você viu que levei sua jaqueta né.

- Vi sim, valeu! Fiquei procurando com a menininha, aí vi sua mensagem e fiquei sussa.

- É mesmo! Vi que você pegou ela, haha. Boa menino! Daonde você conhece?

- Ah da facul, amiga da namorada do Alê. Já tava interessado... Aí veio ontem na balada, e pimba.

Pablo o ergue os braços, colocando aspas maiores à sua citação:

- “Veni, vidi, vici.”

- Haha isso mesmo!

Ari fala isso orgulhoso e contente. E continua narrando seu conquista:

- Ficou enrolando... Tentava, ela esquivava... Aí levei para um canto, não falou nada...

- Ah! Quem cala consente meu amigo!

-Exato. Aí peguei. E veio a surpresa.

- Opa! Conta pra nois!

- Fogosa cara, puxava meu corpo pela camisa, pra chegar mais perto, roçando quadris.

- Ah, com essas o judô vem a tona até na parede da balada.

- É... Só faltou o ippon! Há!

Ambos riem. Silêncio. Lá fora passa um caminhão barulhento, saculejando uma caçamba de entulho.

- Cara, que ressaca. Parece que fui atropelado por um desses.

- Eu bebi bem também ontem. Mas você tava muito louco.

- Tava. Foram 100 pau só de cachaça. Mas uma hora que eu vi que tava muito bêbado eu segurei a onda.

Passa a mão no rosto, tentando tirar com os dedos a dor de cabeça que latejava nas suas têmporas. No meio da movimento, para e olha para a palma da sua mão, curioso.

- Caramba, tem um cortinho na minha mão.

- Como você fez isso?

- Ah, acho que dançando break lá na pista. Num vidro.

- Hahaha! Toda vez você faz isso.

- Ah pelo menos dessa vez não subi no palco.

- Haha! Não por falta de tentativa, seu merda!

- E aquela menina, te mandou mensagem?

- Mandou, mas meio seca, xoxa...

- Ah, ela tá muito fria pra tá na sua.

Silêncio.

- Preciso de uma coca, gelada.

- E frango de televisão.

- O kit ressaca! É bom que sobra rango daí.

- E final de semana tem mais.

- Frango ou história pra contar?

- Os dois meu amigo. Os dois.