segunda-feira, 23 de maio de 2011
Me Add no Face?
terça-feira, 1 de junho de 2010
Um Segredo

Pelo que vi de filmes e li de orelhas do famoso “O Segredo”, o que importa é querer muito alguma coisa. Mas muito. Querer mais que o Corinthians quer a Libertadores, querer mais que todos os outros times do Brasil que este dia nunca chegue para o bem geral do sarro. É o “querer” é o que tem a força nessa história toda. É só querer que o universo, tão bonito e misterioso como capas de CDs nos mostram, conspira a seu favor. Queira bastante que ele arranja o blind date entre a sorte e o mais preparado para conhecê-la: você.
A história toda se resume na Lei da Atração. Segundo o livro, você emite sinais para o breu do Universo pontilhado de estrelas, que eles atraem tudo de volta como um imã Acme, daqueles em forma de U que o Coyote usa em armadilhas para o Papa-Léguas.
O raciocínio da coisa é que basicamente tudo é uma questão de pensar positivo. Ou seja, ter confiança. Oras, desde que o mundo é mundo a confiança é o que rege o sucesso de toda e qualquer pessoa. Da entrevista de emprego ao restaurante japonês de sexta a noite, confiar no taco e evitar gagueiras assina contratos e contas para a noite se apagar à meia luz.
O fato é que acreditar muito em algo ou em si não é suficiente para colocar o Porsches em garagens ou aquela morena no seu banco do carona. Mas ajuda a contribuir para que este dia chegue, como tijolos assentados aos poucos em uma parede. Uma oportunidade de emprego bem aproveitada, um galanteio bem acertado - pequenos passos que encurtam os minutos para que o esperado dia que zera a contagem até o próximo.
Penso que o propósito do “O Segredo” se mostre eficaz para coisas mais pontuais, como querer o carrão ou o sorriso que te derrete emoldurado por longos cabelos lisos.
Mas e para Felicidade? Isso mesmo, o que todos procuram e querem mais que lasanha ou qualquer outro prato que venha fumegando enquanto se saliva. O fato que felicidade verdadeira, meu amigo, não é suficiente para um mero querer muito.
Felicidade é nada mais que o resultado azul e positivo da conta entre tudo que acontece na sua vida. Pensar um isolado “quero ser feliz” todas as manhãs da sua vida só tira seu foco de todos os pontos que você precisa para ter esse resultado.
Entre todos os itens que entram na conta da felicidade, o numeral “pessoas” tem peso fundamental. As pessoas que você divide frações de seu projeto de vida, sejam amigos ou amores, são determinantes para uma conta positiva.
E começa por cada um. Curtir sua companhia, rir de si mesmo, cantar no chuveiro repetindo besteiras ditas é o primeiro passo para a Lasanha que todos procuram. Dá sabor à presença das pessoas que você escolhe para estar perto. Abre a porta para quem chega trazer o azeite, a receita especial para o molho de tomate.
Tudo que é preciso ser feito é tentar ao máximo se cercar de pessoas que te fazem bem. O raciocínio é simples: se te provoca um sorriso quando vem qualquer lembrança, mantenha por perto. Mesmo que subtraia às vezes, a alegria indescritível de fechar o balanço no azul não é segredo para ninguém.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Horário

Diz o ditado: “cabeça vazia é a oficina do Diabo”. Do Capeta. Do Coisa-Ruim. Do Exu-Caveira.
Muito mais que um playground do José Sarney, essa frase resume perfeitamente o fértil terreno que uma cachola vazia proporciona aos que se renderam ao marasmo de uma tarde.
E hoje, faço um breve workshop.
Pela primeira vez em muitos anos cheguei ao dia de ser uma segunda-feira e eu simplesmente não ter o que fazer. Não abri o vidro do carro para receber o Metro na esquina da Santo Amaro. Não fiz fila no quilo com um prato recém saído da máquina de lavar na mão e muito menos comemorei que era segunda, dia de comida árabe.
Estou no interior paulista, com os dedos postos no mesmo ruidoso computador de mesa que tantos slides sobre citoplasmas fez. Uma casa que há mais de quatro anos eu só conhecia por finais de semana, hoje mais uma vez, me mostrou sua rotina. Lá fora, o perdigueiro companheiro dorme ao sol. Vindo da cozinha, o som de locomotiva da panela de pressão e o cheiro de refoga quase borbulhando esperando por grãos de arroz.
A sensação é que logo visto meu uniforme amarelo ovo, minha mochila verde herdada do primogênito e sigo para a escola, rumo a minha apresentação sobre células na aula de biologia.
O fato é que desde o primeiro berreiro aberto neste mundo, o horário sempre nos acompanha. Seja ele imposto pelo leite materno ou pela reunião das 10 e meia, lá está ele. Chame-o de Compromisso, Hora Marcada ou Sessão das Sete, é ele quem apressa suas ensaboadas no chuveiro e toma seu café no elevador.
Nossa relação com o Horário é a clássica relação de mulher de malandro. A gente sofre, reclama, aparece com o olho roxo das noites mal dormidas, mas quando ele desaparece sentimos o peso de sua ausência, o seu cheiro dentro de um livro nas cinzas das horas.
Sem hora marcada nos sentimos incompletos, sem estímulos, presos somente a nossa própria Força de Vontade. E muitas vezes, ela não é páreo justo para a Preguiça. Somente o Horário, como o irmão mais velho que salva do valentão no recreio, encara a Preguiça apontando dois ponteiros para o seu rosto.
Como todo ingrediente que marca presença nesse sopão agridoce chamado Vida, o Horário pode se manifestar tanto em apitos matinais de despertadores quanto reservas em restaurantes, sessões de cinema e tudo mais que, prazerosamente, fazem o tempo passar mais rápido.
Aliás, que horas são?
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Almir e o Acaso

Amigos em comum, mesma faculdade, o filtro de água do escritório… Isso é coisa para o divórcio em 2 anos, da viagem pra Monte Verde para comer foundie e voltar de pochete. Não o eufemismo para pança, aquela bolsinha mesmo, que vai amarrada na cintura tintilhando moedas e uma capa de chuva amarela e bem dobrada.
- Bons casais começam no inesperado, cara!
Era o que dizia Almir, "o conquistador do improviso", título merecido após conhecer uma namorada colocando rapidamente o seu pé embaixo da roda de um 4×4 em movimento.
Almir acreditava piamente no Acaso e nas mais certeiras flechadas do cupido. Na trombada que espalha papéis antes da reunião e cruza o olhar ao levantar do chão. Da catraca de ônibus que roleta a garota mais bonita que ele viu na vida, e a faz sentar bem ao seu lado.
Mas como nem sempre o Acaso está para presenteá-lo com estes regalos da paixão a primeira vista, Almir criava suas próprias oportunidades.
A noite de Almir não começava com “oi tudo bem” ou “qual o seu nome?”. Não senhor. Se não derrubasse uma bebida numa dama de vestido branco ou engasgasse com a azeitona de um martini comprado a par, nada feito. E grande parte das vezes ele voltava só, frustrado por seu insucesso e com o fato da madrugada não proporcionar sinais vermelhos para emparelhar seu carro com outro, de outra.
Almir era o Rei do Auto-Serviço, como ele mesmo gostava de se coroar. Farmácias, supermercados, padarias… Incontáveis vezes se pegou olhando embalagens de absorventes enquanto observava uma garota passar com sua cestinha de plástico azulado. Olhares entre gôndolas, comentários sobre a diferença entre o italiano e o hamburguês, sugestões refinadas de produtos na sessão de Limpeza:
- Leve este Pinho Sol, é formidável. Faz o mesmo trabalho que o Sapólio, não resseca a mão e dá muito mais brilho.
No trabalho Almir era fechado. Limitava-se ao seu ofício e a pensar nas infinitas possibilidades de encontros inusitados que as esquinas da vida proporcionavam. Ela poderia estar ali, em um muro com as mãos na cabeça durante uma blitz policial, num elevador que parasse entre andares por dias, em tudo que o Acaso - primo-irmão do Destino – colocasse no seu caminho com uma flecha no peito.
Enquanto ele suspirava, flechada ou não, na baia ao lado a míope e simpática Vânia via muita graça naquele rapaz engraçado que pouco falava. Juntos iriam rir muito, fazer viagens, dividir planos e discussões calorosas como as noites regadas a vinho.
Iriam, pois para Almir, tudo isso só aconteceria se num voo eles sentassem nas poltronas 27 A e 27 B, abrindo o mesmo livro ao longo da viagem. Se batessem o carro e trocassem telefones para acionar sinistros na hora do rush. Ou, quem sabe, se o avião caísse com os dois numa ilha deserta?
domingo, 26 de julho de 2009
O Amor em Banda Larga

“É hoje!”, pensa Carlinhos esfregando as mãos mentalmente, uma vez que seus dedos estão todos postos no teclado. Já é noite na sua casa, e todos da sua família dormem o pesado sono de um dia pegando no batente.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
O Turbilhão dos 20 Anos

Sempre vivemos pensativos. É natural do ser humano refletir sobre sua vida. Uns mais, outros menos, outros até transformam-se em estátuas e assim ficam, de queixo apoiado na mão, pensando por toda eternidade.
Passam os anos, as folhas do outono e do calendário, e entre tanto pensar vamos dando nomes aos bois e às etapas marcantes de nossas vidas. Crises. Crises que não tem nada a ver com o desafio do Obama e com o grande pretexto para demissões de nossos tempos. Crises nossas, humanas, pessoais e pelas quais todos passam.
Comecemos pela estrela da vez, muito em voga e lotando aulas de yoga: a Crise dos 30. O clichê da mulher com três décadas, três namoros que quase deram certo e três tias que perguntam todo almoço de família da possibilidade de um casório tão cedo. Sei que se aprofundar nesse tema é repetir o que muitos Sex and The Citys e Friends já vem fazendo muito antes de mim, e o pior: com Jennifer Aniston no elenco. Mas ainda arrisco uma tentativa. Com a Jennifer e com essa Crise.
A Crise dos 30 é o roteiro perfeito para comédias românticas, com suas charmosas protagonistas bem sucedidas na carreira e enfadadas com os homens, que acabam se apaixonando por coadjuvantes longe do padrão da segurança de um colega de trabalho: bons para escolher o restaurante, péssimos para conversar enquanto chega a conta. Nesse roteiro e na vida, o interessante vem do imprevisível, sempre. Aposto um Javier Bardem no “Vicky Cristina Barcelona” que isso acontece.
O que é sabido é que homens continuam espalhando suas sementes até quando durarem o estoque de azulzinha. Vide Julio Iglesias ou o nosso Fabio Jr (hoje mais para Fabio Senior). E as mulheres? Dos trinta adiante é uma corrida contra o tempo e as aulas de biologia. Pescar a tempo um que valha nesse mar de cafajestes, bananas e bons partidos já enlaçados fica mais difícil a cada grão de areia que passa pela ampulheta. O tempo para conhecer, namorar, descobrir se abaixa a tampa ou coleciona unhas para um “sim” sem arrependimentos leva anos, e não pode ser acelerado pelo prazo da prole.
Na prática, a triunfante caminhada para o altar leva muito mais que os minutos de braços dados com papai. Para essas mujeres, penso que a solução é se comportar como em um incêndio. Manter a calma e o charme, não entrar em pânico, e procurar perfumada pela saída mais próxima até a chegada do seu bombeiro.
Dê dez anos e substitua um cromossomo: temos o homem médio da Crise dos 40. E nela uma página em branco para desenhar com letrinhas um novo esteriótipo. O recém-divorciado com a carteira cheia e a cabeleira rala. Já pensou em alguém, não é? Aquele cara de roupas justas e gírias do filho, circulando com o carro do ano e com muitos anos no RG. Ainda não? Vá para a uma balada e olhe pra cima, lá estará ele. Não é o globo de espelhos, é o tiozão de camisa pólo justa do alto do camarote, como que comandando a balada de sua mocidade perdida.
Mas e a dos 20? É de algum sexo específico? Ou uma época de se fazer muito sexo? O fato é que o querido sexo é hour-concour nessa análise. Relacioná-lo a crises é tarefa de terapeutas conjugais ou médicos urologistas. Afinal, se o tempo já faz o favor de melhorá-lo como (e com) vinho, não há necessidade de envolvê-lo nessa análise.
Para muitos só a ideia de que exista alguém que queira tachar a flor de sua idade com uma Crise com C maiúsculo beira o drama e a falta de uma namorada. E concordo. Não é bem por uma crise que passam os jovens de 20 e poucos na tenra idade das oportunidades.
Oras, crise é coisa de gente mais velha ou com dinheiro na bolsa de valores. Da Jennifer Aniston, do quarentão recém-tatuado. Mas péra, eu já sou mais velho! Não sou tão novo assim, ganho minha grana... Formado! Pai, deposita 500, por favor? Quando é a festa? E o próximo emprego? Quero ser foda no trabalho, quero viajar no feriado. Quero a farra, quero a namorada.
Sentiu o mini-drama mexicano? E isso é apenas uma amostra, amigo meu.
Mais que nunca é um período de sentimentos, expectativas, cobranças muito bem misturadas com a intensidade e ansiedades inerentes à idade. Misturado com frio na barriga, como num intenso Turbilhão.
Se imagine com um carro, que rodou entre destinos específicos por toda sua existência automobilística. Levou crianças para o ginásio, jovenzinhos para o colegial, guiou rapazes para faculdade. E agora ele pegou seu primeiro acesso para a rodovia. Uma estrada aberta, plana, com um misterioso horizonte para alcançar e com mais cobranças que os pedágios da Bandeirantes. E quem dirige é você.
A inocência da adolescência ficou para trás há tempos, e agora, o plano bancário Universitário também. Nas palavras do seu banco e do mercado, agora você é um Jovem Profissional. Um jovem. E no Turbilhão, você é jovem
No amor, esse assunto que rende páginas de elucubrações e madrugadas de pensamentos, neste singelo documento terá somente um parágrafo. Estamos na fase de pré-calejamento. Decepções amorosas inevitavelmente já aconteceram, mas longe de endurecer corações e os fecharem para novas oportunidades. Os hematomas dos pés na bunda logo passam e as lágrimas logo enxugam com as belas perspectivas que aparecem no horizonte. E apesar das baladas - a morada dos 20 e poucos - bons partidos são como bons empregos: normalmente vem por indicação.
No trabalho, vive-se numa corda bamba de expectativas. Acostumados com um padrão que os pais proporcionaram e vendo o seu pequeno salário desaparecer somente no custo de sua vida social, a ansiedade quanto ao futuro profissional aumenta. O emprego é encarado com seriedade, como uma obrigação não só para seus pais, amigos e agregados, mas sua. Se na quinta série o grande sonho era férias sem recuperação, agora o que é pensado antes do sono profundo é estar no trabalho ideal, com o salário ideal. O suporte dos pais conforta, mas amedontra. Até quando ele será dependente da ajuda? Viver bem é caro. Preciso ser bom, ter carreira. E o caminho é sinuoso.
Para muitos os hobbies já amadureceram e se semi-profissionalizam, quase sem querer. Um cybershoter agora pega sua Nikon e tira fotos autorias, uma fã de arte pode muito bem trabalhar com cultura, um cinéfilo ser diretor de cinema, e assim por diante. Apesar do receio em não conseguir proporcionar um futuro pleno como seu passado, nessa geração os sonhos não estão mais tão distantes ou inalcançáveis. Quem os segura de acontecer somos nós mesmos, com o apoio incondicional do receio de não dar certo.
Por estarmos preso nesse Turbilhão, ter uma visão externa é mais difícil. Mas é fácil de perceber que se seguindo o que gosta, o resto é conseqüência. E isso é tudo que temos para acreditar – coisa que não é pouca.
As suas experiências passadas estão enterradas com as Spice Girls e tudo que se refere ao começo dos anos 00. Elas ajudam, são um apoio, mas esta etapa está em branco, esperando para ser escrita como o que ainda resta dessa crônica.
Talvez aí esteja a beleza de tudo. Aquela que como na narração do “Sunscreen”, você só perceba quando tenha ido embora. O turbilhão existe, e não existe outro remédio que não percorrê-lo da melhor maneira possível, segurando-se aos seus sonhos e principalmente, a quem você é.
Que esse princípio de vida adulta tenha todos os turbilhões que mereça, e que você o use para deixar suas conquistas ainda mais saborosas, suficientes para serem imortalizadas como uma estátua , a sua estátua. Algo como um Monumento ao Valeu a Pena.